Caboco juiz
REINTEGRAÇÃO DE POSSE
Juiz ordena desocupação de área invadida
Policiais militares ao acompanhar os oficiais de Justiça que entregaram a ordem de reintegração de posse aos invasores ÁDRIA ALBARADO
As cerca de três mil pessoas que invadiram um loteamento particular, o Pérolas do Rio Branco, na saída de Boa Vista, receberam notificação para desocupar o local. O mandado de reintegração de posse assinado pelo juiz Gursen de Miranda, da 5º Vara Cível, foi entregue por oficiais de Justiça escoltados por soldados da Polícia Militar.
Os invasores, que estão no lote desde o dia 18, alegam que precisam de um lugar para morar e vão esperar até serem mandados sair à força. “A gente vai ficar por aqui para ver o que vai dar. Afinal somos brasileiros, não desistimos nunca e a esperança é a última que morre”, diz uma mulher com um bebê no colo.
O capitão da PM, Cruz Neto, diz que a notificação foi feita e se eles não saírem vão ser retirados à força. “Por enquanto a gente está fazendo a notificação e avisando que eles têm que sair. Precisamos planejar a operação de retirada, mas não queremos usar da força. Esperamos que eles saiam até amanhã (hoje), pois depois que o mandado for protocolado a gente pode agir a qualquer momento”, informou, ao acrescentar que mandou uma viatura da PM na noite desta quinta-feira ao local para verificar se as pessoas saíram da área.
Luís de Souza é um dos invasores. Ajudante em uma oficina de pintura e lanternagem, Luís diz que invadiu a área porque não tem onde morar. Ele e a mulher, que está grávida de nove meses, demarcaram um terreno com 12 metros de largura por 30 de comprimento.
“Moro de favor num quartinho de madeira atrás da casa da minha mãe. Me inscrevi há três anos no Minha Casa, Minha Vida e até hoje não me deram resposta. Preciso de um lugar para morar. Não dá mais”, desabafa o ajudante.
Ele reclama que a área vivia abandonada, servindo de local para crimes bárbaros e agora o dono apareceu. Segundo Luís, eles precisam que alguém resolva a situação e pedem que as autoridades conversem com eles.
“Não queremos roubar a terra de ninguém, queremos que alguém faça algo por nós. Há a possibilidade de o governador comprar essa área pra gente, então que ele venha até nós. Fomos eleitores dele”, pede Luís.
(Fonte: Jornal Folha de Boa Vista, de 25 de março de 2011).


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