Caboco historiador - Forte
Forte de São Joaquim do Rio Branco: Governo de Roraima e Exército Brasileiro querem resgatar a história.
Foi lançado na última segunda-feira, 22.AGO.2011, o Projeto “Memória do Forte de São Joaquim do Rio Branco”, materializando a parceria entre o Governo do Estado de Roraima e o Exército Brasileiro, que objetiva resgatar parte da história da ocupação de Roraima, por meio da presença militar, na região que compreende a confluência dos rios Uraricoera e Itacutu, formadores do rio Branco .
A solenidade de lançamento foi realizada no quartel do 6º Batalhão de Engenharia de Construção – 6º BEC, e contou com a presença do governador José de Anchieta Júnior, do general-de-brigada Lauro Pires da Silva, comandante do 2º Grupamento de Engenharia sediado em Manaus, do general-de-brigada Franklimberg Ribeiro de Freitas, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, do tenente-coronel José Mateus Ribeiro Teixeira, comandante do 6º BEC, e do desembargador Gursen De Miranda, do Tribunal de Justiça do Estado de Roraima e membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Roraimense – IHGERR.
Realizada na área externa do posto de comando do 6º BEC, a cerimônia contou, ainda, com a presença de personalidades representativas dos segmentos empresariais de turismo, da educação, da cultura, jornalistas e estudantes, interessados em conhecer mais profundamente a história do Forte de São Joaquim do Rio Branco.
Falando durante a solenidade, o desembargador Gursen De Miranda fez um apelo às autoridades presentes no sentido de unirem todos os esforços para que o projeto saia do papel e seja executado. Membro atuante do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Roraimense, Gursen De Miranda fez breve relato sobre a história do Forte de São Joaquim do Rio Branco,
Segundo o professor e historiador, o Forte tem sua origem em Resolução de 23 de outubro de 1752, após consulta ao Conselho Ultramarino, para edição da Provisão Regia de 14 de novembro daquele ano, pela qual D. José I ordenou ao capitão-general do Grão-Pará Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que “se edifique uma fortaleza nas margens do rio Branco”.
Em 1775, valendo-se da ordem imperial, o capitão-general do Grão-Pará, João Pereira Caldas, considerando os movimentos dos espanhóis na região, determinou a imediata construção de uma fortaleza e o povoamento das margens do rio Branco. A missão coube ao capitão-engenheiro Felipe Sturm.
O local escolhido para o início da construção do Forte, em 1775, foi a confluência dos rios Uraricoera e Itacutu, formadores do rio Branco, considerando-se que se poderia dominar a entrada dos rios devido os movimentos dos espanhóis pelo rio Uraricoera, e dos holandeses pelo rio Itacutu. O Forte foi edificado à margem esquerda do rio Itacutu e nas imediações surgiu a povoação de São Felipe.
Na última década do século XIX, o Forte de São Joaquim do Rio Branco não desempenhava mais nenhuma função, havendo apenas um destacamento reduzido, com um sargento e quatro soldados. As construções, que não chegaram a ser terminadas, estavam abandonadas, e alagadas durante o inverno.
Em 1906, por ocasião da viagem do então governador do Amazonas, Constantino Nery, o Forte estava desativado, e serviu de alvo para exercício de tiro. Na década de 1940, as pedras das muralhas do Forte foram utilizadas pelo Serviço de Proteção ao Índio – SPI, nos alicerces da construção da Fazenda São Marcos. No limiar do terceiro milênio, as últimas pedras das ruínas do Forte foram utilizadas para tampar alguns buracos no caminho, para evento oficial naquele local.
TOMBAMENTO
Gursen De Miranda ressalta que o Governo de Roraima, por meio do Decreto Nº 4.241, de 22.ABR.2001, dispôs sobre o tombamento do Sítio Histórico do Forte de São Joaquim do Rio Branco, com área total de 25.738,47 m², passando a integrar o Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Arqueológico e Cultural do Estado de Roraima. O decreto especifica que “compreende-se como sítio histórico do Forte de São Joaquim do Rio Branco as áreas envolvendo o Forte e a Vila de São Felipe, instalada no entorno do Forte.
Na área federal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, já articula o tombamento do sítio do Forte. Segundo a superintendente do IPHAN em Roraima, Mônica Regina Marques Padilha, não apenas o IPHAN está envolvido na questão da preservação da memória do Forte de São Joaquim do Rio Branco, mas a 1ª Brigada de Infantaria de Selva e o Governo de Roraima seguindo a orientação constitucional que preconiza “que o poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação”.
RECURSOS
Ao detalhar a parte orçamentária do projeto, o desembargador Gursen De Miranda afirmou que a Coordenação Geral envidará todos os esforços com o objetivo de captar recursos financeiros junto a entidades públicas e privadas para viabilizar o resgate da Memória do Forte de São Joaquim do Rio Branco. Segundo ele, serão convidados para essa empreitada profissionais, preferencialmente das áreas de História, Arqueologia, Museologia e Engenharia, e da Amazônia, bem como representantes dos órgãos parceiros do projeto.
Nesse sentido, Gursen De Miranda recebeu manifestação da área política por meio do Ofício 165/2011, em que o senador da República e líder do governo no Senado Federal, Romero Jucá, dirigiu-se à ministra da Cultura, Anna Maria Buarque de Holanda, para solicitar o apoio daquela pasta para a viabilidade do projeto que prevê a construção da réplica do Forte de São Joaquim do Rio Branco e também da revitalização do local, tornando possível a visitação pela população, e contribuindo para a preservação da nossa história.
Em correspondência enviada ao desembargador Gursen De Miranda, Romero Jucá informou que acompanhou com atenção o lançamento do projeto Memória do Forte de São Joaquim do Rio Branco, “cuja iniciativa apoio, e que me levou a buscar junto ao Ministério da Cultura a disponibilização de recursos para a viabilização de tão boa idéia”.
Falando durante a cerimônia de lançamento do projeto, o general-de-brigada Franklimberg Ribeiro de Freitas, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, reafirmou a intenção do Exército Brasileiro de resgatar a memória do Forte de São Joaquim do Rio Branco, que para os militares tem importância peculiar, pois marcou a presença militar nesta região em épocas tão remotas.
O governador de Roraima, José de Anchieta Junior, destacou o trabalho que vem sendo feito pelas inúmeras instituições que compõem a Coordenação Geral do projeto e afirmou que “daremos total apoio a essa ideia, no sentido de resgatar uma parte tão importante da nossa história”.
A solenidade teve o seu ponto culminante com a apresentação das obras que envolvem a construção da maquete do Forte de São Joaquim, nas dependências do quartel do 6º BEC. Na ocasião, o comandante da guarnição, o tenente-coronel José Mateus Teixeira Ribeiro, após expor sobre aquele trabalho artesanal e demonstrar que tudo vem sendo realizado pelo pessoal do próprio Batalhão, informou que a intenção é motivar cada vez mais a comunidade roraimense a compreender a história desta região.
A maquete, que depois de pronta dará aos visitantes a correta dimensão da fortaleza, começou a ser construída em fevereiro deste ano e deverá estar concluída em outubro, com a inauguração já inserida no calendário de comemorações do aniversário do estado de Roraima.
Gursen De Miranda, em entrevista à imprensa, fez questão de destacar as palavras do conselheiro do Tribunal de Contas de Roraima, escritor e historiador Amazonas Brasil, que ao referir-se à importância do tombamento dos sítios arqueológicos e do patrimônio histórico e cultural de Roraima, disse que “na reconstituição do passado, a palavra decisiva pertence ao documento. É neste que o historiador consciencioso vai buscar os elementos fundamentais de sua obra, pois que, em última análise, a história não é senão a voz dos documentos, articulada pelos esforços de quem procura a explicação superior dos fatos”.
(Fonte: http://www.tjrr.jus.br/site/index.php/acoes-tjrr/573-forte-de-sao-joaquim-do-rio-branco-governo-de-roraima-e-exercito-brasileiro-querem-resgatar-a-historia - No dia 08 de setembro de 2011).


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