Caboco Marajoara

terça-feira, agosto 23, 2011

Caboco historiador - Forte




18-08-2011 - 02:04:00
juniorbr@osite.com.br - 18.08.2011



QUE BATALHA

O 6º Batalhão de Engenharia e Construção – BEC, prepara o lançamento oficial do Projeto Memória do Forte São Joaquim do rio Branco, concretizando uma série de intenções e de ações em favor do reconhecimento e tombamento daquele patrimônio histórico de Roraima e do Brasil. Agora, depois de oficialmente tombado pelo IPHAN, ainda que de forma provisória, a história poderá ser resgatada e preservada: o projeto prevê a reconstrução daquela fortaleza militar, um banco de dados, biblioteca e museu, entre outras medidas de resgate e preservação da história do forte...
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As primeiras ações neste sentido partiram do Departamento de Cultura do Estado, na gestão da senhora PETITA BRASIL, que procurou o então coronel ELIESER MONTEIRO, à época comandante do 7º Batalhão especial de Fronteiras – BEF...
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Sensibilizado, o militar encampou o projeto e, como marco, batizou aquele quartel de Forte São Joaquim...
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Muitas águas passaram em frente ao sítio onde se localizava o forte, na confluência do Tacutu e do Uraricoera, até que se desse a devida importância àquele patrimônio e o estado oficializasse seu tombamento...
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Várias foram as pessoas que levantaram bandeira em prol do tombamento e contribuíram para que esse momento se concretizasse. Dentre eles, a senhora MEIRE SARAIVA, do Patrimônio Histórico do estado, sempre disponibilizando documentos e dados, assim como o pesquisador DOUGLA DAMÁSIO, outro apaixonado pela história de Roraima e, como militar da reserva, com especial deferencia e conhecimento sobre o forte...
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Outro grande defensor que se engajou em defesa do forte foi o então juiz GURSEN DE MIRANDA quem, junto com AMAZONAS BRASIL somou trincheiras pela memória do forte. E, embasado em parte nos alfarrábios do escritor e pesquisador já falecido, escreveu sobre a história daquela fortificação.
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Seu trabalho alçou-o a autoridade também no assunto e, hoje, é o desembargador o maior aglutinador destas históricas intenções, tomando a frente das ações e alicerçando este projeto de reconstrução do Forte São Joaquim...
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Mas, efetivamente, foi em 2001 que o Conselho de Estado de Cultura – CEC, tomou as providências necessárias e deu o primeiro passo para o tombamento do Forte São Joaquim, em solicitação ao IPHAN do Amazonas (o estado de Roraima ainda não tinha sua representação)...
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Em seguida, em 2002, o CEC anexou o relatório técnico embasando a solicitação.
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DE lá prá cá foram mais nove nos até que o IPHAN, enfim, reconheceu a importância do pleito e publicou no Diário Oficial da União do dia 15 de julho o tombamento provisório, fechando um círculo de batalhas, talvez a mais longa e árdua já travada pela fortaleza, cujas fundações foram iniciadas em 1775, e só concluído 13 anos depois...
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E por que tomo hoje metade do espaço da coluna para falar sobre o Forte São Joaquim? Primeiro, porque como roraimense nato me orgulhos de ver em vias de se concretizar um sonho de tantos que lutaram e lutam pelo resgate e o registro da história deste estado ainda por ser contada...
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Segundo, porque como homem de cultura (e à época trabalhando no Departamento de Cultura do Estado), acompanhei de perto todos estes processos...
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Terceiro, pela vergonha de ontem, em sala de aula na UFRR, quando o coordenador do curso de Arquitetura foi transmitir convite do comando do 6º BEC aos alunos do curso para uma vista ao sítio histórico, na intenção de envolvê-los no processo de tombamento (pesquisa, maquetes, etc) ...
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Mesmo com a sedutora possibilidade de um dia em campo, com ônibus refrigerado e almoço incluso, nenhum aluno confirmou presença ou demonstrou interesse. Ninguém sabia do que se tratava...
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Até que eu, percebendo a situação, puxei dos meus parcos conhecimentos escutados ao longo de minha vida em conversas familiares sobre meu bisavô, BENTO FERREIRA MARQUES BRASIL, um dos primeiros comandantes do Forte São Joaquim e, em sua memória -e de tantos outros bravos que escreveram a história deste estado, falei sobre o forte e sua importância...
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Foi assim que eles se interessaram e um bom número se prontificou. Porque quem não conhece não ama, e quem não ama não cuida.

(Fonte: http://www.fontebrasil.com.br/site/index.php?p=noticias&secao=jrbrasil&id=11893).