À NERO, JESUS: JUSTIÇA.
Qua, 25 de Janeiro de 2012 09:07 | PDF |
Gursen De Miranda*
A magistratura foi eleita pela sociedade brasileira alvo principal de críticas e descrédito. São momentos de tormenta para Magistratura brasileira. Desacreditar a magistratura dá mídia.
Creio que essas pessoas têm consciência que o enfraquecimento do Judiciário fragiliza a democracia, oferecendo espaço aos tiranos, aos “salvadores da pátria”, aos justiceiros.
O mais repugnante, todavia, é a postura de magistrado fazendo coro com esses indivíduos desconhecedores da atividade judicante e da estrutura dessa parcela de Poder do Estado. Manifestam juízo depreciativo, muitas vezes, com excesso de linguagem, sobre magistrados e órgãos do Poder Judiciário.
Lembro, neste contexto, que o Poder Judiciário do Estado de Roraima, conforme as metas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi considerado o mais eficiente do Brasil, em 2010. Não sei como ficaram o do Rio de Janeiro, o de São Paulo ou o de Minas Gerais.
Releva registrar que os poucos casos comprovados de corrupção não são de magistrados da Justiça Estadual. São os Matos, os japoneses, os Laulaus, e outros.
Lamento, profundamente, a compreensão de juiz em defender a aparência dos juízes como a “mulher de César”, o que leva a crer, por certo, que reflete sua própria índole de aparências ... tudo é aparência ... prefere viver no mundo da aparência ... a Justiça e o mundo real são irrelevantes. Preocupado com a plateia e a mídia o mais importante é a aparência.
Para esse juiz, prefiro buscar os ensinamentos de Jesus (Mateus, 23), quanto aos fariseus:
“1. Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. (...). 4. Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los. 5. Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; (...) 6. Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, 7. as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. (...) 12. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado. (...) 23. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! (...)27. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! 23.28 Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade”.
Na seara da história, trago o fato do imperador romano Nero[1] que incendiou Roma, para ser lembrado.
Não é diferente do juiz que denigre outros juízes e a Justiça, para ver seu nome na mídia e satisfazer seu ego.
É certo que não se enquadram nesta tela muitos juízes, desembargadores e ministros, afinal, não sou de generalizar”.
* Desembargador (TJE/RR). Corregedor Regional Eleitoral (TRE/RR). Presidente da Associação dos Magistrados de Roraima (AMARR). Vice-presidente da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES).
[1] Durante a noite de 31 de julho de 64, ocorreu em Roma um incêndio que devastou a cidade. Suetônio e Dião Cássio defendem a teoria que foi o próprio Nero que o causou com o objetivo de reconstruir a cidade ao seu gosto. Segundo Suetônio e Dião Cássio, enquanto Roma ardia, Nero estava cantando Ilicipersis.
Fonte: http://www.tjrr.jus.br/site/index.php/tj-na-midia/875-a-nero-jesus-justica).